Ao longo das últimas quatro décadas, Goiás viveu intensos ciclos políticos que moldaram seu presente e agora desenham novas possibilidades para o futuro. Da Arena ao PDS, do PFL ao MDB e à formação do União Brasil, o Estado passou por transformações marcantes, protagonizadas por lideranças que deixaram sua marca — algumas nas urnas, outras na memória coletiva do povo goiano.
Em 1982, com o fim do ciclo dos governadores biônicos, Ary Valadão encerrava uma era, e Goiás entrava numa nova fase com a vitória de Iris Rezende pelo MDB. Com ele, nomes como Henrique Santillo e Paulo Roberto Cunha ganharam projeção. Santillo o sucedeu no governo e travou embates eleitorais emblemáticos, como o de 1986 contra Mauro Borges. Foi neste cenário que o caiadismo começou a tomar corpo. Ronaldo Caiado, então presidente da UDR, chegou a disputar a presidência da República em 1989, enquanto o MDB se dividia entre Iris Rezende e o apoio a Ulysses Guimarães.
Nas eleições de 1990, Paulo Roberto Cunha, uma das figuras mais respeitadas da política goiana, enfrentou Iris Rezende ao lado de Caiado, que se tornaria o deputado federal mais votado do estado. Em 1994, o campo conservador se fragmentou entre Caiado (PFL), Lúcia Vânia (PP) e Maguito Vilela (MDB), este último vencedor no segundo turno e responsável pelo último ciclo longo de hegemonia do MDB no Executivo estadual.
Foi em 1998, com apoio decisivo de Caiado e Lúcia Vânia, que Marconi Perillo chegou ao poder, onde permaneceu por 20 anos, inclusive com a eleição de seu vice — que posteriormente se tornaria seu adversário. Enquanto isso, Iris voltou a comandar Goiânia por três vezes, e Maguito liderou Aparecida de Goiânia em dois mandatos. Já Caiado, com cinco mandatos na Câmara Federal, consolidou-se como voz firme em defesa do agro, da segurança e da saúde, chegando ao governo de Goiás em 2018, com reeleição no primeiro turno em 2022.
Com a atual aliança entre União Brasil e MDB, Caiado projeta sua sucessão com Daniel Vilela, filho de Maguito, ao seu lado. O MDB, antes adversário histórico, agora é pilar de sustentação. A possível candidatura presidencial de Ronaldo Caiado, aliada à provável entrada de Gracinha Caiado na disputa pelo Senado, já conta com uma engrenagem política bem delineada — e é aí que surge a força de Jaraguá.
Sob o comando do prefeito Paulo Vítor, Jaraguá volta a se projetar como peça importante do xadrez político goiano. Conhecido por sua lealdade a Caiado e Gracinha, Paulo Vítor foi o primeiro chefe de gabinete do governador e pode assumir a coordenação da campanha presidencial de Ronaldo, da senatorial de Gracinha e da estadual de Daniel. Ele também é o atual presidente da FGM (Federação Goiana de Municípios), o que amplia sua articulação institucional e o coloca em posição estratégica entre os prefeitos do estado. Entre a administração de um dos municípios mais promissores do Vale do São Patrício e a organização do futuro político da base caiadista, ele tem sido apontado por observadores como um nome com papel de destaque na sucessão estadual.
O presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto, também é citado como figura central, possível vice-governador da chapa governista, com forte respaldo institucional e político. A formação de um trio de renovação com Daniel Vilela, Bruno Peixoto e Paulo Vítor pode consolidar a transição política do caiadismo, garantindo continuidade e estabilidade ao projeto iniciado em 2018.
Jaraguá, cidade emancipada de Pirenópolis, com mais de 45 mil habitantes, é hoje referência nacional em confecção e guarda também um legado político de peso. Foi berço de nomes como Chiquinho de Castro, prefeito de Goiânia, e Alano de Freitas, destaque nacional na Caixa Econômica. A cidade abriga famílias históricas, como os Castros da Arena e os Freitas do MDB. Segundo um veterano líder jaraguense, Paulo Vítor “navega com habilidade entre o PDS de Nelson de Castro e Nédio Leite, e o MDB de Lineu Olímpio”, unindo tradição e renovação em um só projeto.
Neste momento em que Goiás se prepara para mais um ciclo decisivo, o olhar do estado pode voltar-se novamente para Jaraguá — não só como símbolo da tradição goiana, mas também como ponto de equilíbrio e coordenação do futuro político que se aproxima.



