Motéis e empresas do setor hoteleiro em São Paulo foram usados como instrumento para ocultar e movimentar valores ligados ao crime organizado. De acordo com investigações da Receita Federal e do Ministério Público de São Paulo, os empreendimentos operavam em nome de laranjas e estariam vinculados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), principal facção criminosa do estado.
Entre 2020 e 2024, essas empresas movimentaram cerca de R$ 450 milhões. Parte desse valor foi distribuída como lucros para integrantes do grupo criminoso, enquanto transações financeiras apontam o uso de uma fintech para centralizar os recursos ilícitos. A origem das descobertas foi o acesso a dados digitais de um operador do esquema, onde foram localizados comprovantes de repasses feitos diretamente pelos motéis.
As autoridades identificaram estabelecimentos em várias regiões, incluindo cidades da Grande São Paulo, como Santo André, São Bernardo do Campo, Itaquaquecetuba e Ribeirão Pires, além de bairros da Zona Leste da capital. Alguns dos motéis citados são: Chamour, Vison, Mille e Uma Noite em Paris. Os nomes foram registrados em CNPJs usados em compras de imóveis de alto valor, como uma aquisição de R$ 5 milhões feita em 2023.
A ação faz parte da Operação Spare, deflagrada nesta quinta-feira (25), que também investiga atividades ilegais da facção nos ramos de combustíveis e jogos de azar. O objetivo agora é rastrear os envolvidos, bloquear bens e aprofundar o mapeamento da estrutura financeira usada para dar aparência legal ao dinheiro oriundo do crime.



