Diversos cartórios do Rio de Janeiro estão sob investigação por supostas fraudes que envolvem o uso de documentos falsificados, autenticação indevida de assinaturas e desvios de recursos, como precatórios. Entre os casos investigados estão a venda de uma sepultura com procuração falsa, reconhecimento de firma de pessoas mortas e a apropriação indevida de valores milionários.
Um dos casos mais emblemáticos envolve a publicitária Maria Ana Neves, que teve o jazigo de sua família vendido ilegalmente. A assinatura usada para autorizar a venda foi considerada falsa em perícia, mas havia sido autenticada por um cartório da zona sul da cidade. Outros casos apontam falhas graves, como a validação de assinaturas do bicheiro Alcebíades Paes Garcia, o Bid, após seu falecimento, o que permitiu movimentações patrimoniais questionáveis.
Também estão sob apuração denúncias de falsificação de documentos atribuídos à empresária Raquel Otila, ex-mulher do ex-senador Ney Suassuna, e o desvio de um precatório de mais de R$ 1 milhão de uma idosa de 82 anos. Funcionários de cartórios e advogados são suspeitos de envolvimento direto nos crimes, e alguns já respondem a processos disciplinares.
Em resposta às denúncias, o Tribunal de Justiça do Rio anunciou novas medidas para aumentar a segurança dos atos notariais, incluindo a obrigatoriedade de gravações em vídeo, coleta de biometria e reforço nos mecanismos de controle interno. A Corregedoria-Geral da Justiça e o Ministério Público seguem com as investigações.



