Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal revelou a atuação de um grupo que discutia pela internet a realização de atentados contra políticos e prédios públicos em Brasília. Segundo as autoridades, os investigados planejavam fabricar explosivos e tinham como um dos principais alvos o Palácio do Planalto, além de discutirem um possível ataque ao local onde seria realizado o debate entre os candidatos do segundo turno das eleições.
As conversas aconteciam em dois grupos no Telegram. O maior reunia mais de 600 integrantes, enquanto um núcleo mais restrito tinha 46 participantes. De acordo com a investigação, nesse segundo espaço eram compartilhadas instruções relacionadas à preparação dos ataques. Um relatório do Ciberlab, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, apontou ainda a disseminação de ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência.
Os investigadores identificaram que os participantes chegaram a compartilhar mapas de prédios públicos, incluindo ministérios, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal. Segundo o delegado responsável pela investigação, também circulou uma planta do Palácio do Planalto, utilizada nas discussões sobre possíveis formas de acesso ao edifício.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que as conversas indicavam risco concreto. “Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios”, declarou. Segundo o Ministério da Justiça, os administradores dos grupos também procuravam identificar participantes dispostos a praticar atos de violência.
Na última semana, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados. Os investigados poderão responder por crimes como associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime. A investigação continua com a análise dos computadores e celulares apreendidos durante a operação.



